O percurso do vinho até chegar à mesa do consumidor evoluiu de tal modo que é quase inacreditável tamanha disparidade. O homem de barril às costas, com pobre indumentária remendada, tinha que percorrer longas distâncias entre os terrenos vinícolas da aldeia pobre e o Lagar, onde as uvas eram pisadas pelos pés descalços.
Os financiamentos comunitários, a fundo perdido, na ordem dos milhões de euros, vieram criar meios impulsionadores nas áreas da produção e da competitividade. A mecanização veio substituir o que dantes era manual. Aumentou-se o rendimento, perdeu-se nos postos de trabalho.
Na nossa aldeia, lá bem longe, as uvas continuam a ser apanhadas à mão e os hábitos e costumes permanecem há séculos. Da latada ao Lagar, o vinho é do melhor e com exportações para todo o mundo.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS