Grande Prémio de Literatura
A cultura literária portuguesa despediu-se, hoje, de um grande ensaísta e intelectual do nosso tempo - João Bigotte Chorão (1933-2019). Natural da Guarda, formou-se em Direito e trabalhou na Editorial Verbo, na qual coordenou a publicação de várias enciclopédias, entre as quais “Enciclopédia do Século XXI” e “Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia Logos”.
O seu nome, no entanto, ficou conhecido como um dos maiores especialistas de Camilo Castelo Branco. Deu ainda a conhecer grandes autores nacionais e estrangeiros, alguns dos quais retratados no livro com o título "Galeria de Retratos", publicado no ano 2000 pela Lello Editores. "Este livro" - disse na altura da sua publicação - "é, de certa maneira, um álbum em que se guardam também retratos, mas de gente mais ou menos conhecida, escritores e pensadores que são um nome e deixaram obra. Gente que me atrevo a reclamar como da minha família, não segundo o sangue, mas segundo o espírito - de todos, o vínculo mais fortes. Quem não nasceu ensinado gosta de saber.
Mas não é em professores e compêndios que se encontra o pão para a nossa fome espiritual e sim em mestres e livros que encontrámos graças a uma activa curiosidade autodidáctica que se revela contra a passividade de aceitar o 'magister dixit' e tudo o que a cultura oficial impõe. Somos o que somos também pelos autores e livros que escolhemos".
João Bigotte Chorão, foi membro da Academia das Ciências de Lisboa e do Instituto Luso-Brasileiro de Filosofia, tendo dirigido também o Círculo Eça de Queiroz. Em 2008 foi distinguido com o Grande Prémio de Literatura Biográfica pela Associação Portuguesa de Escritores, pela obra “Diário quase completo”, entre outras distinções de referência.
O Presidente da República recordou o "constante empenho no conhecimento e na valorização da literatura portuguesa" evidenciado ao longo da vida por João Bigotte Chorão.
Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou ainda a "incansável curiosidade e poderosa capacidade reflexiva"; bem como a "riquíssima ensaística e a criativa crítica literária, que se debruçaram sobre autores dos séculos XIX e XX, com destaque para Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Carlos Malheiro Dias, Tomaz de Figueiredo ou João de Araújo Correia".
João Bigotte Chorão foi a sepultar nesta segunda-feira, 25 de Fevereiro, mas a sua memória permanecerá bem viva junto dos seus leitores e admiradores da boa literatura. Até sempre.

João Godim
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