Coimbra vai comemorar os 50 anos da crise académica de 1969, uma luta contra o Estado Novo. O programa destas comemorações vai estender-se até à "Festa das Latas", em Outubro, e conta com várias manifestações culturais, recriações históricas e uma gala.
Um dos momentos mais significativos será a homenagem a todos os estudantes envolvidos na crise académica de 1969, que começou em 17 de Abril daquele ano, quando o estudante universitário Alberto Martins pediu a palavra perante uma comitiva do Estado Novo encabeçada pelo então presidente Américo Thomaz, na inauguração do edifício das Matemáticas.
Fora da agenda oficial estava também agendada para aquela data uma sessão "não oficial", no anfiteatro do Museu da Ciência, intitulada "Orgulho do 17 de Abril", aberta "a todos os que, em 1969, levantaram cartazes, reuniram nas faculdades, se sentaram na relva da Associação, fizeram greve, largaram balões, entregaram flores, conheceram as celas da penitenciária, foram à final da Taça ou simplesmente, na curva de céus vários, pressentiram que os tempos estavam a mudar".
Na oportunidade, Alberto Martins pediu para falar "em representação dos estudantes da Universidade de Coimbra", mas o pedido de palavra não foi aceite e Alberto Martins seria detido. Seguiram-se várias iniciativas de contestação estudantil, nomeadamente manifestações e greve aos exames, a que o Governo respondeu com prisões e a incorporação compulsiva dos estudantes nas forças armadas, para combaterem na Guerra Colonial.
O reitor da Universidade de Coimbra e o ministro da Educação (na altura José Hermano Saraiva) acabaram por se demitir.

João Godim
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