Casino da Madeira
“Roma e Pavia não se fizeram num dia”, reza assim a lenda sobre antigas cidades, para alertar que as grandes obras ou empreendimentos bem consolidados não nascem ou crescem de qualquer maneira. Há que dar tempo ao tempo e projectá-los com os devidos alicerces, para que a História não venha apelidar de quiméricos os seus protagonistas. Mas, se muito custa a construir, em tempo e em meios, também é fácil destruir o património edificado, por um simples “dá cá aquela palha”. Há exemplos bons e maus que testemunham esta realidade. Lembramos a propósito, a fundação da cidade de Roma (Itália), no ano 753 a.C; e a inauguração da cidade de Brasília (Brasil), em 1960, obra moderna arquitectada por Óscar Niemeyer, o mesmo a quem se atribui o projecto arquitectónico do Casino da Madeira.
Golden Gate
A par destas emblemáticas construções, infelizmente, há outras que vão sendo sepultadas ou retiradas da memória sem qualquer consideração, por causa de questões financeiras ou falências inevitáveis. Encontra-se neste caso, por exemplo, na cidade do Funchal (a primeira cidade construída pelos europeus fora do Continente, em 1508), o mítico “Café Golden Gate”, na Avenida Arriaga, conhecido internacionalmente por “Esquina do Mundo”, segundo o escritor Ferreira de Castro. Fundado em 1841, o Golden Gate”, está fechado há quase um ano por razões económicas… A sua silhueta sombria, no entanto, continua a impor-se naquele espaço citadino, entre a Sé do Funchal e o Palácio de São Lourenço, ao cimo da outrora designada “entrada da cidade”, a partir do cais e da Avenida do Mar.
Avenida Arriaga
Mesmo à sua frente ergue-se o monumento/estátua de João Gonçalves Zarco, da autoria do escultor Francisco Franco (século XX), naquela mesma Avenida que mudou de nome várias vezes, conforme as solicitações de cada época… Assim, no século XV, era conhecida como “Campo do Duque”, cheio de canaviais; no século XIX, foi designada de “Passeio Público”; “Praça da Constituição” ( por causa da Revolução de 1820), “Praça Real” (no tempo de D. Miguel); “Praça da República” (já depois de 1910) e finalmente, a partir de 1914, rua dr. Manuel de Arriaga (depois Avenida Arriaga desde 1932), que foi o primeiro presidente da República Portuguesa e que, embora natural dos Açores, foi deputado pelo círculo do Funchal, em 1882 e 1911.

João Godim
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