Assinala-se este ano o 100.º aniversário da morte do escritor Ramalho Ortigão (1836-1915) que, em parceria com Eça de Queirós, assinou peças jornalísticas de forte teor crítico - as famosas "Farpas", publicadas mensalmente, "definidas como panfletos de oposição social e política", e que tanta falta nos fazem hoje em dia.
José Duarte Ramalho Ortigão, natural do Porto, foi um viajante eclético e o seu protagonismo na sociedade e na cultura portuguesas de então era relevante. Interveio, por exemplo, na célebre "Questão Coimbrã" (1865), defendendo o poeta Feliciano de Castilho, através do folhetim "Literatura de Hoje" e em que se bateu em duelo com Antero de Quental pela mesma causa; pertenceu também ao grupo das "Conferências do Casino", em Lisboa (1871).
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(Da esquerda para a direita): Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Antero de Quental, Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro.
Ainda com Eça de Queirós, escreveu em folhetins no Diário de Noticias o "Mistério da Estrada de Sintra". A sua prosa é elegante, apesar de mordaz, e os relatos que nos deixou sobre diversos temas continuam a ser dignos de uma leitura atenta. Vale a pena recordar a sua obra escrita que, felizmente, está devidamente publicada.
"Ninguém é grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva, pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes" (Ramalho Ortigão).

João Godim
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