Nome grande da literatura portuguesa do século XX, Jorge de Sena (1919-1978), será homenageado com uma conferência, na próxima terça-feira (22 de janeiro), em Lisboa, numa iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e com a presença de reputados especialistas portugueses e brasileiros.

A “Jornada Jorge de Sena” (durante todo o dia), começa com uma intervenção do ensaísta e poeta Nuno Júdice sobre o escritor e a sua obra global. Seguem-se as intervenções de Ida Alves, professora brasileira de literatura portuguesa, do professor catedrático de estudos ingleses Mário Avelar, da especialista em literatura comparada e estética musical, Ana Paixão, da professora especializada em literatura e cultura dos séculos XX e XXI em língua portuguesa, Tania Martuscelli, da professora brasileira, Gilda Santos sobre o longo exílio de Jorge de Sena, no Brasil.
Seguem-se Jorge Vaz de Carvalho, mestre em literaturas e autor do livro “Jorge de Sena - Sinais de Fogo como romance de formação”, Jorge Fazenda Lourenço, especialista em línguas e literaturas, do crítico literário António Carlos Cortez, dos poetas Gastão Cruz, Fernando J. B. Martinho, Helder Macedo, Isabel de Sena, e termina com leituras pelo encenador, Jorge Silva Melo.

Jorge de Sena, considerado hoje um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do século XX, nasceu em Lisboa, em Novembro de 1919, e morreu em Santa Barbara, na Califórnia, em Junho de 1978.
Poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário, naturalizou-se brasileiro em 1963, durante o seu exílio no Brasil, que durou de 1959 a 1965, ano em que se mudou para os Estados Unidos, para fugir à ditadura militar entretanto instalada no Brasil.
Formou-se em engenharia civil, mas a sua inclinação natural para a literatura levou-o, durante o curso, a escrever poemas, artigos, ensaios e cartas, prática que, aliás, começou aos 16 anos.
Em 1940 publicou, sob o pseudónimo de Teles de Abreu, os seus primeiros poemas na revista Cadernos de Poesia, dirigida por Cinatti, Blanc de Portugal e Tomás Kim, e dois anos depois publicou o seu primeiro livro de poemas, “Perseguição”.

Jorge de Sena tem também uma obra fecunda em epistolografia, com figuras importantes da literatura portuguesa e brasileira, sendo a sua obra de ficção mais famosa o romance autobiográfico “Sinais de Fogo”, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha.
> Grande parte da obra do escritor foi publicada postumamente pelos cuidados da viúva, Mécia de Sena.

João Godim
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