Anibal Cavaco Silva apresentou o seu novo livro de memórias. Revela episódios das “célebres” reuniões das quintas-feiras no palácio de Belém, tenta dar uma forma intelectual, literária e artística e, por um triz, não traz à baila os sons das conversas extras-oficiais. Dir-se-ia que, desta vez, o ex-presidente da República narra tudo, tim-tim por tim-tim, ao ponto de admitir que sem a sua presidência Portugal tinha-se espatifado no alcatrão quente da política.
Cavaco o salvador! Devia ser o título do seu segundo livro de memórias. Pena foi ter saído quando devia ter permanecido, dez anos são poucos anos para quem consegue fazer tanta coisa desconhecida. Saiu com 2,9 por cento de popularidade (a mais baixa popularidade de um político português, desde a monarquia, ditadura, à democracia). Saiu pelos fundos, com a certeza de missão cumprida, e rapidamente caiu no esquecimento. O que é bom, Professor!

Nos dois livros, vamos encontrar formas de expressão… do eu e do mim, fiz, exigi, impus, ou seja, chamou à pedra os governantes. Nunca errou e se errou foi por culpa dos outros. Fica para a história o facto de ter sido na sua presidência que Portugal teve, pela primeira vez, um chefe do governo preso. Que deu-se o colapso do BES (que pôs em causa a solidez de toda a banca) e que o país mais credibilidade externa perdeu.
Tem toda a razão quando diz que os dez anos na presidência mais os dez anos como primeiro-ministro foram sufragados pelos eleitores. O mais são conversas de maus perdedores.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS