O poeta das coisas simples
Recorda-se neste mês de Outubro (dia 27), o aniversário da morte de Carlos Queiroz (1907-1949), o poeta das coisas simples, sentimentos ingénuos, sinceros e autênticos, sobrinho de Ofélia Queiroz (colega de trabalho de Fernando Pessoa, num escritório da baixa lisboeta, e por quem o poeta dos heterónimos teve uma paixão efémera).
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Profundo conhecedor da lírica portuguesa e influenciado pelo "simbolismo" francês, Carlos Queiroz deixou uma obra poética de indiscutível modernidade, com poucos títulos e publicações devido à sua breve vida (morreu aos 42 anos de idade), apesar de tudo um tempo suficiente para se afirmar com autoridade, e merecedor de toda a atenção.
Quem não se lembra do poema "Menino, queres ser meu mestre? / - Contigo tinha tanto que aprender! A ser casto, sem querer; / A ser bom, sem o saber; A ser alegre, sem ter / Motivos para o ser» (...)
E aqueles outros versos cantados por Carlos do Carmo, com o título "Canção Grata"...
Por tudo o que me deste:
> Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
> Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia:
> Aceita a minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
> Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

João Godim
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