Eça de Queiroz em reportagem jornalística
“O Canal do Suez”, que une o Mediterrâneo e o Mar Vermelho, sempre “teve uma história agitada, repleta de guerras”, e foi objecto de muitos projectos. Com 154 quilómetros de extensão, o “Canal do Suez”, tal como hoje o conhecemos, foi oficialmente inaugurado em 17 de Novembro de 1869 e "não é prerrogativa de uma nação: deve o seu nascimento e pertence a uma aspiração da humanidade", disse o diplomata francês Ferdinand de Lesseps, quatro mil anos depois dos primeiros planos imaginados pelos Faraós do antigo Egipto.
A sua construção contou com fundos franceses e ingleses, foi apoiado por Napoleão III e pela Imperatriz Eugênia, que presidiu à sua inauguração após dez anos de trabalhos e com milhares de operários mortos.
Em 1888, um tratado outorgou ao Canal o estatuto internacional, ou seja, podia ser utilizado por todos os barcos sem exceção, em tempos de guerra e paz, embora isso nem sempre tenha sido respeitado; até que se deu a sua nacionalização, em 1956, pelo então presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, para financiar a construção da barragem de Assuão, no sul do país, após a recusa dos Estados Unidos em conceder um empréstimo.

Na actualidade, o “Canal do Suez”, é continuamente transformado e ampliado para receber navios cada vez maiores, com a passagem aproximadamente 10 por cento do comércio marítimo internacional.
No dia da sua inauguração, a 17 de Novembro de 1869, esteve também presente um português: o escritor Eça de Queiroz (1845-1900), que sobre a cerimónia escreveu uma reportagem jornalística. Para assinalar este acontecimento, está a decorrer na Sociedade de Geografia de Lisboa um Congresso: “Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez” (15-18 de Novembro de 2019), com a participação de vários especialistas na obra do autor de “Os Maias” e no contexto histórico da época.

João Godim
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