Para surpresa de muitos, ou talvez não, a Academia Sueca anunciou, hoje, 13 de outubro, que o Nobel de Literatura de 2016 foi para o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan. A justificação é que o agraciado tem "criado novas expressões poéticas dentro da grande tradicional canção americana".
Os seus poemas podem ser comparados aos poetas gregos Homero e Safo. "Eles faziam poesia para ser ouvida e para ser apresentada com instrumentos. Nós lemos Homero e Safo e gostamos até hoje. É o mesmo com Dylan. Ele pode ser lido, deve ser lido, e é um grande poeta da língua inglesa. E ele faz isso, reinventando-se constantemente", revelou a porta-voz da atribuição do Prémio.
Além de músico e pintor, Dylan tem também 30 livros publicados. É autor, entre eles, do livro "Tarântula", uma coletânea de poesias publicada em 1966, também em português. "Se uma pessoa quer começar a escutar ou ler (Dylan) deveria começar com "Blonde on Blonde", o disco de 1966, que tem vários clássicos e é um exemplo extraordinário do seu dom para fazer rimas, posicionar os refrãos e o seu pensamento em imagens", considerou ainda a Academia Sueca.
O Prémio traduz-se num valor monetário de 8 milhões de coroas suecas (822 mil euros) e uma medalha, que serão entregues numa cerimónia marcada para o próximo dia 10 de dezembro. Dylan, que completou 75 anos em maio, já ganhou dez prémios Grammy, um Óscar e o Príncipe das Astúrias das Artes em 2007.
No ano de 2004, foi eleito pela revista norte-americana "Rolling Stone" o segundo melhor artista de todos os tempos, atrás dos Beatles. O verdadeiro nome de Bob Dylan é Robert Allen Zimmerman, nasceu no Estado de Minnesota e descende de uma família de imigrantes judeus-russos. Começou cedo a pertencer a bandas e, com o tempo, a sua paixão pela música centrou-se no "folk" e nos "blues".
Entre os favoritos para o Nobel da Literatura deste ano estavam: o escritor japonês Haruki Murakami, o poeta sírio Adonis, o escritor queniano Ngugi wa Thiong'o, e autores americanos mundialmente reconhecidos como Don DeLillo, Philip Roth e Joyce Carol Oates.

Outros nomes, referidos todos os anos, foram os do português António Lobo Antunes, do britânico Salman Rushdie, o do albanês Ismail Kadaré, do israelita David Grossman, do francês Milan Kundera e o dramaturgo norueguês Jon Fosse. José Saramago recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1998. No ano passado a vencedora foi a jornalista e escritora bielorussa Svetlana Alexievitch.
Com esta atribuição a Bob Dylan (um sénior e principalmente um cantor de fama mundial) bem pode dizer-se que "muita coisa está a mudar" no reino da Academia Sueca.

A verdadeira literatura tem muitas expressões e, segundo os decisores, não é exclusiva apenas de livros, como era tradição desde o início do século XX, altura em que os prémios Nobel foram criados por vontade do industrial químico e milionário sueco Alfred Nobel (1833-1896).

João Godim
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