O azulejo português será candidato a Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (UNESCO). Trata-se de uma arte muito original, que abrange todo o País, uma herança que não se circunscreve apenas a Lisboa, e que remonta ao século XVI, quando entraram em Portugal os azulejos hispano-mouriscos produzidos na Andaluzia.
A partir de então foram criados diversos e diferentes padrões, com utilizações variadas: no século XVIII o azulejo foi usado sobretudo no interior de edifícios históricos, como igrejas, conventos e palácios; no século XIX passou a ornamentar as fachadas das casas; e no século XX, entrou com propriedade na arte urbana, em vários espaços, como aeroportos, estações de metro ou de comboio e viadutos rodoviários.
"O azulejo português, ao longo dos últimos anos, tem vindo a ganhar destaque a nível internacional, servindo de inspiração, nomeadamente, a muitos costureiros e designers e está cada vez mais presente um pouco por todo o espaço lusófono", defende a tutela, a propósito desta candidatura a Património da Humanidade
A conservação do azuleio português tem sido promovida desde há muito, tendo-se criado para o efeito o Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, no antigo Mosteiro da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor. O espólio do museu data do século XV, tendo sido sucessivamente enriquecido com novas peças que estabelecem um percurso entre azulejaria arcaica e a produção mais contemporânea.
No Funchal, guarda-se também uma importante coleção de azulejos, na Casa Museu Frederico de Freitas, localizado na Calçada de Santa Clara e integrado na histórica de São Pedro. Além dos azulejos, este Museu, também conhecido por Casa da Calçada, antiga residência dos Condes da Calçada (desde o século XVII), apresenta ainda um valioso património secular de escultura, pintura, gravura, mobiliário, cerâmica e cristais pertencentes ao advogado, notário e colecionador madeirense Dr. Frederico de Freitas (1894-1978), que ali residiu e legou as suas coleções à Região Autónoma da Madeira.
Neste contexto se constituiu a atual Casa Museu Frederico de Freitas, cujo projeto ficou concluído em 1999 com a criação da Casa dos Azulejos, uma vasta coleção de azulejaria, com "peças orientais, islâmicas, medievais, majólica e uma mostra de azulejaria holandesa. O núcleo português, que inclui um importante conjunto de padronagem seiscentista, evoca a produção nacional até à atualidade".

João Godim
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