Faz, hoje, 53 anos (1961) que o navio “Santa Maria” foi tomado de assalto por um comando, sob as ordens do capitão Henrique Galvão. Terá sido o primeiro e o mais duro golpe no governo de Salazar, uma tomada patriótica que ecoou pelo mundo e que foi decisiva para a mudança política que anos depois (25 de Abril de 1974) veio a concretizar-se. O assalto ao “Santa Maria” ocorreu, na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, quando o navio navegava entre o Curaçau e Miami. Na altura, o navio tinha a bordo cerca de mil passageiros, vinte e quatro dos quais eram os rebeldes que o capitão Henrique Galvão reuniu para levar por diante o assalto que teve repercussões em todo o mundo e partiu pela base a ditadura que vigorava em Portugal. Uma data que poucos se lembram, uma acção muito perigosa, e que tanto influenciou as decisões internacionais que levaram ao fim a política do Estado Novo, criado em 1933. Os heróis da Pátria e da Nação, o muito que fizeram por este nosso país, com quase 900 anos de história, estão inexplicavelmente esquecidos no baú e sem identidade. Será que se não tem havido o assalto ao “Santa Maria” teria Portugal tomado a luta pela democracia, ainda que titubeante, doente, como agora está! É esta uma legítima observação, um legítimo queixume, entre muitos outros factos, que alimentam o dilema do triste fado português.
NB: Será que Henrique Galvão está no tão badalado Panteão Nacional!? Não, não está...
Filme "Assalto ao Santa Maria">https://www.youtube.com/watch?v=HncnaTh9fbA

João Godim
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