É uma escritora multifacetada que contorna os obstáculos que surgem pelo caminho. Não cede, não pede, mas faz, mas vai. Avança, sempre. O seu livro mais recente intitula-se "Passageiro Clandestino", através do qual relata, numa espécie de diário, a sua luta contra a doença/cancro, com grande desassombro e ironia, como quem “encara a besta de frente", escreve. “Toda essa colecção de gente invasora não desiste de nós. Mas eu recuso-me a ceder...”, diz ao referir-se ao tumor. “Falar de Viver” e “Casas Contadas” são livros que se lê e relê com desejo de voltar a ler, como todos os demais da sua autoria. Conheci Leonor Xavier num colóquio promovido pelo Cine-Fórum do Funchal, já lá vão alguns anos.
Nasceu em Lisboa (à Lapa), em 1943, no seio de uma família tradicional, seu pai era um médico muito conhecido. Entre 1975 e 1987, no pós-25 de Abril, viveu no Brasil, primeiro em S. Paulo e depois no Rio de Janeiro, na sequência do saneamento do seu marido da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde era professor. No Rio de Janeiro, foi correspondente do Diário de Notícias e colaborou ainda na revista Manchete, no Jornal do Brasil e no jornal Mundo Português; tendo sido distinguida duas vezes com o prémio de “Melhor Jornalista da Comunidade Portuguesa” no Rio de Janeiro.
Já em Portugal, após doze anos de exílio, foi redactora da revista Máxima e recebeu, em 2010, o prémio máxima de literatura pelo seu livro de memórias (autobiografia) "Casas Contadas". É ainda autora das biografias "Maria Barroso, Um Olhar sobre a Vida" (1995), "Raul Solnado, A Vida Não Se Perdeu" (2003), de quem foi companheira durante mais de uma década; da biografia política de Rui Patrício, "A Vida Conta-se Inteira" e de muitas outras obras. Quase todos os seus livros são vidas escritas. Eis uma escritora-sénior com muito para contar. Recomenda-se.
Entrevista (50’) > http://videos.sapo.mz/aOincST9YOvyVsEoWwQT

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS