Não gostamos de ver igrejas com portas fechadas, não só por ser um procedimento contrário aos princípios da sua existência como contradiz os apelos à participação dos crentes na vida religiosa e sua presença na casa de Deus. Uma igreja não é um museu, é um espaço aberto, cívico, activo e efectivo, de conforto espiritual, em todas as religiões. Fechar as portas é fechar-se aos caminhantes, às comunidades, aos povos do conhecimento.
Fomos a Belmonte (Beira interior) para uma reportagem sobre a comunidade judaica e a sua sinagoga que dizem ser das mais antigas da península ibérica. As referências (sem data certa) dizem que os judeus estão em Portugal muitos antes da fundação do país (1143). As portas da sinagoga estavam fechadas mas no seu interior estavam pessoas (ouviam-se vozes). Não batemos à porta, aguardámos que alguém abrisse (saísse ou entrasse). Quando alguém chegou perguntámos se podíamos entrar, a resposta foi um perenptório não!. Entrou e rapidamente fechou a porta. Lá dentro estavam pessoas a falar.
Tirámos fotos (do exterior da sinagoga), e mais não comentamos. Será este o mundo secreto dos judeus, causa de muitas convulsões? O porquê de tanta história maldita sobre a comunidade judaica? Com todo o respeito pela liberdade na universalidade. Como nós, outros são impedidos de entrar na sinagora. Porquê?

João Godim
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