Enforcamento no “Expresso” (3)
Balsemão chamou Marcelo para uma entrevista para o semanário que ia lançar. Estava-se em 1972 e o jovem jurista começava a dar nas vistas. A ideia inicial era que fosse trabalhar para a administração, mas rapidamente os seus talentos o levaram para a redação, onde brilhava verdadeiramente.
Nesse dia, Marcelo encenou o seu enforcamento para divertir as secretárias enquanto esperava pelo início da reunião. Dizia que se enforcava se não fosse contratado e pôs um cordão do estore atado ao pescoço para o ilustrar. Quando Balsemão entrou, ainda apanhou Marcelo pendurado e de língua de fora. (In Jornal i)
Ignorar a censura (4)
Marcelo aproveitou o facto de Francisco Pinto Balsemão estar fora, em Madrid, para praticar uma das maiores irreverências que ficaram com o seu cunho na história do “Expresso”. Rebelo de Sousa resolveu fazer uma primeira página como se já não existisse censura, em maio de 1973.
O semanário foi para as bancas com uma “autópsia política do 28 de maio” e uma história sobre um massacre na Guiné, um tema tabu, politicamente muito sensível para a época. A façanha custou caro ao jornal. O “Expresso” passou a ser sujeito a prova de página, o que implicava que a censura tinha de ver todas as páginas já terminadas. Isso atrasava e muito o fecho das edições, com consequências financeiras desastrosas para o jornal de Balsemão. (In Jornal i)

João Godim
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