Os dias das pequenas coisas
O Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, vai acolher uma exposição documental / biográfica da artista Sarah Affonso (1899 - 1983). O evento tem inauguração prevista para o próximo dia 12 de Setembro, intitula-se “Sarah Affonso. Os dias das pequenas coisas”, e destina-se a celebrar os 120 do nascimento da artista modernista, que também foi companheira de Almada Negreiros (1893-1970).
Nesta exposição, aborda-se a formação artística de Sarah Affonso, “revelando uma criadora multifacetada, com obra que vai de uma multiplicidade de registos de desenho à pintura, passando pelo bordado e que se manifesta também de modo muito particular na relação com a paisagem, intervindo e criando, paisagística e pragmaticamente, o entorno da casa da família” em Bicesse, Cascais.
Última aluna de Columbano Bordalo Pinheiro, na Escola de Belas-Artes de Lisboa, Sarah Affonso partiu em 1924 para Paris, onde frequentou a Académie de la Grande Chaumière. Na sua segunda estada parisiense, entre 1928 e 1929, expõe no Salon d’Automne, com boa receção crítica, e trabalha num atelier de modista, executando desenho de moda, prática à qual em Portugal dará continuidade na imprensa. Ilustradora, na imprensa periódica e para diversos livros de escritores, como Fernanda de Castro, mantém ao longo de várias décadas acptividade como pintora, com particular destaque para o retrato.
Reconhecida pelos pares e pela crítica, premiada com o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, em 1944, organizou várias exposições individuais nas décadas de 1920 e 1930. Contudo, em 1978, cinco anos antes da sua morte, a crítica Sílvia Chicó, escrevendo para um catálogo de uma exposição que reunia retratos de Sarah Affonso de 1927 a 1947, referia a mostra como “uma importante contribuição para o conhecimento de uma obra, em grande parte ignorada pelo público”.
A especialista apontava que “toda a mostra que faça sair uma obra da obscuridade, se torna relevante, num país onde a história da arte do século XX é ainda mal conhecida, e onde Sarah Affonso tem um lugar preciso”, recorda o Museu do Chiado.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS