Vence a indiferença e conquista a paz
"Ano novo, vida nova", costuma-se dizer perante um futuro próximo que se pode traduzir, desde já, por muita esperança e a convicção que tudo será melhor em termos pessoais, coletivos e mundiais. Neste ensejo, apresentam-se mensagens singulares, que fazem pensar e, que de certo modo, deixam alguns alertas sobre o que se prevê realizar. É o que se pode beneficiar da leitura da mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, a celebrar no dia 1 de janeiro, com o tema «Vence a indiferença e conquista a paz».

Para o chefe da Igreja católica, «embora» o ano de 2015 «tenha sido caracterizado, do princípio ao fim, por guerras e actos terroristas, com as suas trágicas consequências de sequestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma «terceira guerra mundial por pedaços», todavia alguns acontecimentos dos últimos anos e também do ano passado incitam-me, com o novo ano em vista, a renovar a exortação a não perder a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença. Tais acontecimentos representam a capacidade de a humanidade agir solidariamente, perante as situações críticas, superando os interesses individualistas, a apatia e a indiferença».

Sobre os «tais acontecimentos» que importa relevar, o papa recorda «o esforço feito para favorecer o encontro dos líderes mundiais, no âmbito da Cop21, a fim de se procurar novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum. E isto remete para mais dois acontecimentos anteriores de nível mundial:
A Cimeira de Adis-Abeba para arrecadação de fundos destinados ao desenvolvimento sustentável do mundo; e a adopção, por parte das Nações Unidas, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que visa assegurar, até ao referido ano, uma existência mais digna para todos, sobretudo para as populações pobres da terra.»

Francisco lembra também as preocupações e esforços da Igreja em relação ao que acontece no mundo, como fez na sua encíclica Laudato si (Louvado sejas) e na convocação do Ano jubilar da Misericórdia, a decorrer entre novembro de 2015 e novembro de 2016, a favor de toda a humanidade, crentes ou não, com a aposta na «solidariedade global».
Como observa, «variadas são as razões para crer na capacidade que a humanidade tem de agir, conjunta e solidariamente, reconhecendo a própria interligação e interdependência e tendo a peito os membros mais frágeis e a salvaguarda do bem comum. Esta atitude de solidária corresponsabilidade está na raiz da vocação fundamental à fraternidade e à vida comum.
A dignidade e as relações interpessoais constituem-nos como seres humanos, queridos por Deus à sua imagem e semelhança. Como criaturas dotadas de inalienável dignidade, existimos relacionando-nos com os nossos irmãos e irmãs, pelos quais somos responsáveis e com os quais agimos solidariamente. Fora desta relação, passaríamos a ser menos humanos.

Igreja de Santa Maria Maior (Funchal)
É por isso mesmo que a indiferença constitui uma ameaça para a família humana. No limiar dum novo ano, quero convidar a todos para que reconheçam este facto a fim de se vencer a indiferença e conquistar a paz», sublinha o Papa Francisco nesta sua mensagem para 2016.

João Godim
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