
O funeral de Jonas Savimbi, fundador e líder na UNITA, foi por estes dias um acontecimento histórico em Angola. Dezassete anos após ter sido assassinado pelo MPLA, Savimbi foi enterrado sem honra oficial mas em evocação feita por mais de dez mil angolanos que sempre fizeram questão de velar por quem tudo fez para tornar Angola num país com valores democráticos.
Savimbi foi abatido pelas forças militares do MPLA há 17 anos, depois de agressiva perseguição de autêntica caça ao homem. A ordem sempre foi de abater e não prender, como se o líder da UNITA fosse um assassino perigoso. Eliminar faz parte dos fracos ante os mais fortes, como testemunham os assassínios de outros altos políticos revolucionários africanos, com excepção para Nelson Mandela.
Foi um revolucionário humanista e um guerrilheiro estratega. Frequentou a Faculdade de Medicina de Lisboa mas não acabou o curso por pressão do regime salazarista, sob vigilância da PIDE. Foi para a Suiça onde se licenciou em Ciências Sociais e Politicas pela Universidade de Lausanne, em Genebra. Savimbi foi considerado um dos políticos mais cultos de África e falava fluentemente o português, inglês, francês e línguas autóctones angolanas.

Jonas Savimbi (03.08.1934 – 22.02.2002) lutou por uma Angola livre do jugo colonial para ser assassinado por ordem do poder angolano instituído. Um herói que a história do seu país e de África jamais vão olvidar. A morte assassínia de Savimbi teve todos os contornos de eliminar para reinar.

João Godim
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