Varoufakis, ministro das finanças da Grécia, pediu a demissão logo após a estrondosa vitória do “não” alcançada pelo seu partido Syriza. Yanis Varoufakis, professor de Economia da Universidade de Atenas, de 53 anos, era ministro das Finanças da Grécia desde o final de Janeiro. No seu blogue, publica artigos de opinião e textos académicos sobre a crise do euro e compara a austeridade ao "waterboarding" – a tortura por simulação de afogamento.
Citando a RR: "Em vez de discutir, nos fóruns da Europa, a natureza da nossa crise sistémica, os poderes instalados ocuparam-se a torturar fiscalmente as nações, deixando-as respirar rapidamente antes de voltar a submergi-las nas águas da iliquidez. Foi assim que a Europa começou a perder a sua alma e integridade, passando de um reino de prosperidade partilhada a uma jaula de ferro, uma prisão de dívida", escreve no blogue (http://yanisvaroufakis.eu/).

Depois de as negociações terem falhado entre a Grécia e os seus credores, Varoufakis criticou a governação na Europa. "Isto não é forma de gerir a união monetária. Isto é uma farsa. Isto tem sido uma comédia de erros que já dura há cinco anos, que a Europa tem vindo a prolongar e a disfarçar"
"O meu maior medo", confessa, "agora que me meti nisto, é que me possa transformar num político. Como antídoto para esse vírus, tenciono escrever a minha carta de demissão e mantê-la no bolso, pronta a entregar no momento em que sentir que há sinais de que estou a perder o compromisso de falar a verdade ao poder." Foi o que fez, sem rodeios. Ainda há políticos sérios.

João Godim
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