
Faleceu, hoje, a escritora Agustina Bessa-Luís, aos 96 anos. Há muito que estava doente (AVC). A missa de corpo presente irá decorrre, esta tarde, a partir das 16 horas, na Sé do Porto. O funeral acontece amanhã (terça-feira), no Peso da Régua. Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922, tendo se estreado como romancista em 1948, com a novela "Mundo Fechado".

"Nós somos relação de pessoas", dizia-nos Agustina Bessa-Luís na entrevista que nos concedeu, nos anos 80 (do século XX). A pessoa que parte, fisicamente, mas perpetua a relação da obra que nos deixa e muito enriqueceu a literatura portuguesa. Sobre a morte, dizia: "Quem tem medo de morrer... Enfim, era melhor não nascer". Paz à sua alma.
Video > https://www.youtube.com/watch?v=BrvDXCBtPlo
Agustina Bessa-Luís (1922-2019), considerada por muitos a maior escritora portuguesa de ficção do século XX, morreu esta segunda-feira (3 de Junho), após quase duas décadas de retiro em casa, devido a doença. Deixou-nos fisicamente a grande autora de uma vasta bibliografia que irá perpetuar a sua memória e intervenção cívica através da cultura. Como ela própria reconheceu um dia: “Poucos são os que me lêem, mas muitíssimo mais os que me conhecem”.
Foi assim na vida, sempre a escrever ou a assumir cargos directivos de relevância. Começou cedo nas letras e a publicar, mas só tardiamente foi apoiada pelos seus pares, devido a preconceitos de ser mulher ou de causar alguma inveja aos mais incapazes.
Viajou muito e nos seus escritos deixou várias apreciações dos lugares por onde andou, interpretou histórias verídicas de modo magistral e foi incansável na divulgação das paisagens humanas e naturais de Portugal, como atestam muitos dos seus romances e livros passados em localidades muito conhecidas, como aquele que escreveu sobre a Madeira, intitulado A Corte do Norte (mais tarde passado ao cinema por João Botelho. Escrito na década de 80 do século passado.

A Corte do Norte relata cinco gerações de mulheres, num cenário "pós-romântico de traições, paixões e desacertos", cercado de um ambiente insular característico que molda a natureza e a personalidade.
Na época em que escreveu este livro, Agustina Bessa-Luís esteve algumas vezes no Funchal, onde foi bem acolhida, convidada a dar conferências e entrevistada pelos órgãos de comunicação social. Resta, agora, continuar a manter a sua memória viva, em particular pela leitura dos seus inúmeros livros, ou reler o seu título mais conhecido - A Sibila.

João Godim
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