No fundo, agradece-se que
não haja grandes governantes
Agustina Bessa-Luís, a escritora de que pouco se fala ou lê nos nossos dias, acaba de completar 93 anos de idade: nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922. Considerada discípula de Camilo Castelo Branco, a sua escrita radica nos melhores alicerces da língua portuguesa. Estreou-se com o romance "Mundo Fechado" (1948), mas foi com outro romance, "A Sibila" (1954) que se afirmou como uma das autoras mais inovadoras da ficção portuguesa de todos os tempos. Na opinião do ensaísta António José Saraiva, Agustina será «com Fernando Pessoa a segunda revelação, o segundo milagre do século XX português, e será reconhecida quando, com a distância, se puder medir toda a sua estatura, como a contribuição mais original da língua portuguesa para a literatura mundial, ao lado do brasileiro Guimarães Rosa».

Além de escrever livros, Agustina Bessa-Luís desempenhou o cargo de directora do diário "O Primeiro de Janeiro" (Porto), assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
É membro de várias instituições e entidades culturais e cívicas. Muitas das suas obras foram traduzidas em vários países e algumas foram adaptadas ao cinema por Manoel de Oliveira, como “Francisca”, “Vale Abraão” e “As Terras de Risco”. Recebeu diversos prémios, com destaque para o "Prémio Camões" (em 2004), considerado o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

Nos seus pensamentos e aforismos sobre a realidade concreta do viver humano, em particular em relação ao modo de governar em geral, escreveu: «No fundo, agradece-se que não haja grandes governantes; eles trazem a ordem, portanto a proibição de escolha a uma consciência em estado de profunda reprovação. Um governante iluminado causa mais males do que duzentos que estejam pouco empenhados na felicidade humana».
Música > https://www.youtube.com/watch?v=V1bFr2SWP1I&feature=related

João Godim
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