A baía do Funchal sempre foi muito procurada por barcos e viajantes, desde os mais diversos destinos... Mas, se outrora, as caravelas e os navios serviam essencialmente como um meio de transporte indispensável, hoje em dia, aparecem mais como espaço de conforto e de lazer em elegantes transatlânticos, através de cruzeiros inesquecíveis, que dão a volta ao mundo em poucos dias, mostrando o essencial da paisagem e das gentes..., ainda que em breves paragens.
O Funchal, com a sua "Pontinha" e o seu "cais", continua a ser muito concorrido e apreciado, como prova o gigante "Royal Princess", este sábado (30 de abril) no porto do Funchal, rumando depois para Cádis. Construído em 2013, este navio ocupa a 12.ª posição no "top" dos maiores navios de cruzeiro do mundo.
> Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa. (...)
"Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.
(...) Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!" (...)
(Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, in Ode Marítima)

João Godim
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