Foi há 90 anos, no dia 28 de maio, um pronunciamento militar de características ditatoriais, nacionalistas e anti-parlamentares, iniciado em Braga e comandado pelo general Gomes da Costa, com Mendes Cabeçadas e Óscar Carmona, iniciou uma nova governação que viria a mudar Portugal...
A I República foi derrubada e o modelo de Ditadura seria acentuado com a instauração do Estado Novo, através da Constituição de 1933.
As causas próximas foram a "instabilidade política" e os "desmandos" verificados entre 1910 e 1926.
Nesse contexto, a adesão ao golpe militar foi grande, visto ser considerado como uma "tábua de salvação" para a resolução de problemas, principalmente a nível financeiro, sendo então convidado para a pasta das Finanças António de Oliveira Salazar, professor na Universidade de Coimbra.
A data de 28 de maio seria ainda escolhida para a realização de outros factos marcantes: em 1945, houve manifestações em Lisboa, Porto, Alenquer, Setúbal, Évora, Santarém, Almeirim, Alhos Vedros, Seixal, Almada, Barreiro e Cova da Piedade, de regozijo pela vitória aliada, na II Guerra Mundial e de crítica à ditadura do Estado Novo, a que conduziu o golpe de 28 de maio de 1926.
Em 1946, dá-se a publicação do documento "O MUD e o 28 de Maio", do Movimento de Unidade Democrática.
A memória histórica do "28 de maio de 1926" ficou registada num documentário cinematográfico intitulado “A Revolução de Maio”, exibido em 1937, por iniciativa de António Ferro que desafiou António Lopes Ribeiro a rodar um filme, a fim de comemorar os 10 anos da "Revolução" militar.
O argumento foi escrito por António Lopes Ribeiro e pelo próprio António Ferro (com os pseudónimos de Baltazar Fernandes e Jorge Afonso, respetivamente) e o financiamento teve o apoio oficial, exclusivo, do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), dirigido por António Ferro.
O cenário principal passa-se em Braga e nele são exibidos discursos de Salazar, entre muitos outros motivos de interesse para a história do Estado Novo, que só terminou com a "Revolução" militar do "25 abril de 1974".

João Godim
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