Um passo maior na caminhada da liberdade, assim se justificam as revoluções que ao longo dos séculos a humanidade protagonizou para fazer valer os seus direitos, inevitavelmente, para inovar as suas capacidades e afirmações de mais poder ou domínio em relação ao passado. Tirando isso, pouco mais interessa, a não ser para contrariar a frase de Lampedusa que estava convicto de que "é preciso mudar alguma coisa para que nunca fique na mesma". Não é o caso das verdadeiras "revoluções" e a História está cheia destes casos. Nada foi tão motor de desenvolvimento e progresso das mentalidades, comportamentos políticos ou intervenções mais profundas nos países, do que as "revoluções". Assim foi com a "Revolução de 1383-1385" e a "Revolução do 25 de Abril" no nosso País; assim foram as paradigmáticas: Revolução Americana de 1776 e a Francesa de 1789..., entre outras.

A mais recente, entre nós, representou uma oportunidade total de conquistas a vários níveis, por exemplo, quanto à igualdade de direitos entre homens e mulheres, como prova a obra "Mulheres Portuguesas", da autoria da historiadora Irene Flunser Pimentel e da jurista Helena Pereira de Melo (edição Clube do Autor, Abril de 2015).
O livro é de consulta indispensável, nele ficamos a saber que, nos finais do século XIX e durante a ditadura do Estado Novo, com raras permissões, as mulheres não votavam, só podiam exercer uma profissão ou deslocar-se ao estrangeiro quando autorizadas pelo marido, só existiam em função da família...; e com a "Revolução dos Cravos", assinalam-se agora 41 anos, tudo mudou, mas ainda falta muita coisa ao nível da cidadania, no campo dos salários ou das oportunidades de trabalho, pode-se argumentar. As "revoluções" não acabam e este livro pode ajudar a compreender o que se fez no passado e o que interessa fazer no nosso mundo contemporâneo.

João Godim
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