Não há cidade portuguesa que não tenha uma rua denominada "31 de Janeiro", em homenagem à "revolta de 31 de janeiro de 1891", ou primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal.
Essa revolta aconteceu na cidade do Porto e foi liderada por um levantamento militar, além de grandes vultos da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros. As causas para esta revolta, que foi sufocada de imediato por forças oficiais, prendiam-se com as cedências do Governo (e da Coroa) ao "Ultimato inglês" de 1890, por causa do "Mapa Cor-de-Rosa" que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.
Entre as principais figuras da "revolta" destacam-se: Sampaio Bruno (1857-1915), considerado um dos maiores filósofos portugueses e fundador de vários jornais portuenses, como os semanários “O Democrata” e “O Norte Republicano”, e o diário “A Discussão”, foi um dos redatores do "Manifesto" que deu origem à revolta republicana falhada de 31 de janeiro de 1891 e teve que se exilar em Paris, como tantos outros.

Sampaio Bruno regressou a Portugal em 1893, com as "Notas do exílio"; e em 1909 foi nomeado diretor da Biblioteca Pública Municipal do Porto, cargo que exerceu até à sua morte; e Augusto Manuel Alves da Veiga (1850-1924), formado em Direito pela Universidade e Coimbra, advogado e professor; foi ele quem leu e apresentou, das janelas da Câmara Municipal do Porto, a "proclamação do novo governo ao povo"; foi também forçado ao exílio, em França, tendo na oportunidade sido advogado dos consulados portugueses e brasileiros em Paris. Depois da implantação da República a 5 de outubro de 1910, voltou à vida política ativa e foi nomeado Ministro (embaixador) de Portugal em Bruxelas.

João Godim
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