Há datas históricas que não podem ser esquecidas, como o 1.º de Dezembro de 1640, em que se assinala a proclamação da Restauração da Independência de Portugal e o início à Dinastia de Bragança, com D. João IV.
Portugueses ousados e decididos os daquela época, com importantes referências que ainda hoje merecem ser nomeadas, como a defesa do património territorial, além da Península Ibérica. Desde então, ao longo de séculos, desenvolveram-se outros interesses nacionais, mas não ficámos imunes a outras influências, não apenas do poder militar, mas de mentalidade.
Basta reler Alexandre Herculano (1810-77) que no seu tempo apontou para uma realidade que perdura, quando escreveu: "Na maioria das sociedades actuais falta aos homens públicos o valor não só para ousar o bem mas, até, para praticar francamente o mal. Deste facto psicológico, que assinala as épocas de profunda decadência moral, deriva a hipocrisia".

O escritor, historiador investigador e político português do século XIX, não podia ser mais claro. Alexandre Herculano sabia do que falava; o seu ideário não era teoria, mas alicerçado no concreto, na acção permanente, partidário de um modelo liberal, promotor do ensino e das bibliotecas públicas, membros de importantes instituições culturais, fundador de jornais: “O País” e “O Português”, e dirigente de “O Panorama”, a mais importante revista literária da sua época.
Viveu exilado, primeiro em Inglaterra e depois em França, onde contactou com historiadores, romancistas e poetas estrangeiros que o ajudaram a afirmar a sua personalidade e a construir entre nós uma obra pioneira na historiografia, a "História de Portugal" em quatro volumes, entre outros títulos de referência.
Já agora, a propósito das datas históricas, importa também ler o seu romance histórico "O Bobo", publicado inicialmente na revista "Panorama" em 1843 e editado depois em volume, em 1878; trata-se da narração relativa ao ano de 1128, nas vésperas da batalha de S. Mamede que opôs o exército de D. Afonso Henriques ao da sua mãe D. Teresa.




João Godim
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