De vez em quando, ou quase sempre, a Europa é perturbada por uma "vaga de refugiados"..., diríamos cidadãos apátridas que fogem da guerra e da miséria, em demanda de um futuro mais feliz, a que todos os seres humanos têm direito, mas que são despojados da sua dignidade, por força de fronteiras entre os países, ideologias políticas, contendas devastadoras, e tudo o resto que a História já registou no passado.
À Europa, é frequente, chegam milhares de refugiados que poderiam ser ajudados no seu próprio espaço territorial, através de programas e decisões aprovados pelas instâncias europeias e internacionais mas pouco postos em prática por quem de direito.

> Refugiados na Europa
Já se conhecem os porquês e o como destas histórias que saltam à vista de toda a gente e provocam solidariedade, revolta ou repulsa da parte de países que dizem estar fartos de serem sempre os mesmos a ajudar…
Ao mesmo tempo, permanece a pergunta: a quem interessam estas situações, o que é necessário para obviar o incómodo e resolver tais problemas? A resposta mais comum é que urge evitar a "invasão de párias" e/ou "terroristas", deixar ao longe os que pouco contribuem para o bem-estar material dos que já cá estão, a menos que sejam "colonizados"...
É uma triste realidade. De facto o "colonialismo" não acabou. Só que, em vez do "colonialismo territorial", assiste-se agora ao "colonialismo das mentes". E não colhe a ideia de se remeter o "colonialismo" para outras épocas, a pretexto de certos países não terem moral para falar do assunto que hoje em dia tanta polémica está a gerar no velho Continente.

> Retornados (refugiados) em Portugal
Como dizia o Professor Eduardo Lourenço, há pouco tempo, a propósito da controvérsia à volta de um possível “Museu das Descobertas” em Lisboa: “Não sei por que é que, neste momento, parece haver uma necessidade de crucificar este velho país em função de uma intenção louvável, mas que ainda não redime aqueles que querem realmente a redenção, aqueles que foram objeto de uma pressão forte como o do nosso domínio enquanto colonizadores, de uma certa época”, afirmou.
“Já não podemos reparar nada, que essas coisas não têm reparação, mas podia ser (o movimento que está contra o Museu) um gesto que se justificasse por uma espécie de maldade particular e única que nos afastasse da consideração de país civilizado, de um continente civilizado chamado Europa, mas não”. Na opinião do filósofo e ensaísta, as “crueldades” de Portugal não podem ser queimadas “na mesma fogueira” de outros, para salvar o país "a posteriori" daquilo que já não se pode emendar, acrescentou.


João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS