Fica à beira-mar, vigilante e com uma vista soberba sobre a baía do Funchal, a Praça do Povo e arredores, é afamada tanto pelos seus atributos ambientais, utilitários e paisagísticos, como pelos inquilinos e visitantes que por lá passam e passaram desde há séculos.
Conhecida atualmente por "Quinta Vigia", já se chamou "Quinta das Angústias", devendo o seu nome a uma Capela construída em 1662 e dedicada a Nossa Senhora das Angústias, e "Quinta Lambert", devido a ter sido comprada por um tal conde de Lambert, que foi ajudante de campo da imperatriz da Rússia, na segunda metade do século XIX.
Num passado mais distante, no século XVIII, a "Quinta das Angústias" teve também como proprietária de renome D. Guiomar Accioli que provavelmente "mandou levantar o primeiro edifício, para além de ter impregnado um grande desenvolvimento agrícola nas terras circundantes", sendo ainda visível o "Mirante de D. Guiomar", que "vigiava" e seguia as "instruções sobre o modo de ancorar no porto do Funchal", nomeadamente os barcos que vinham buscar o "vinho da Madeira".
Aos poucos, estas atividades foram dando lugar a jardins tropicais, com flores e árvores das mais variadas e plantas indígenas, transformando a Quinta num verdadeiro espaço romântico e de acolhimento a personalidades de relevo.
"Durante os anos de 1847 e 1853, a Quinta conheceu dois factos que lhe dão hoje o principal valor histórico de que é alvo. No ano de 1849, a 23 de Agosto, chegou à Madeira numa fragata da marinha russa o príncipe Maximiliano, Duque de Leuchtenberg, que apenas desembarcou quatro dias após um período de quarentena. No dia 29 de Agosto de 1852, chegaram na fragata portuguesa D. Fernando II a Imperatriz D. Amélia e sua filha, a Princesa D. Maria Amélia (promotora da construção do Hospício)."
Nos seus espaços(interior e exterior), a Quinta recebeu ainda bailes, convívios e encontros, com a presença de famosos da época, sobretudo estrangeiros, como parece ter sido o caso da Imperatriz Sissi, austríaca (1837-1898).
A "Quinta Vigia", já depois da "Revolução do 25 de Abril" de 1974, também acolheu o Conservatório de Música e é, desde 1984, residência oficial do presidente do Governo Regional. Na sua essência, simboliza, desde sempre, o poder e o prestígio.
Video (3´) > https://www.youtube.com/watch?v=W4HsuaYnpBg

João Godim
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