Situação de reforma
não significa paragem
O lema de uma "eterna juventude" não é palavra vã e o desafio para concretizá-la parece estar ao alcance de qualquer pessoa. A receita para tal depende apenas do modo de ser e de agir de cada um, da maneira como se encaram os problemas da vida, com "menos pessimismos, derrotismos" e outros "ismos" caracterizadores da falta de "auto-estima"; e mais "confiança em si próprio", com objectivos e metas passíveis de serem alcançados por via das "capacidades", do "trabalho" e "empenho" individuais".
Maria Elisa
É o que constatamos no convívio com duas personalidades marcantes da cultura madeirense, João Carlos Nunes Abreu e Manuela Aranha, que esta sexta-feira estiveram presentes na apresentação do livro de Maria Elisa - "Confissões de uma Mulher Madura", no Funchal.
Lembramos que João Carlos Abreu, que em Dezembro próximo fará 80 anos, destacou-se como Secretário Regional do Turismo e Cultura; além disso, foi jornalista (por exemplo, fez reportagens do Concílio Vaticano II para o Jornal da Madeira), é poeta, escritor e, neste momento, estuda música, tem lições semanais de piano. Para Maria Elisa, a vida de João Carlos Abreu pode sugerir dos títulos: «Confissões de um homem novo» e «Como aprender piano aos oitenta anos».
Da esquerda para a direita: João Egídio, Maria Elisa, João Carlos Abreu e Manuela Aranha
Já Manuela Aranha, actualmente com 84 anos de idade, foi durante anos directora regional dos Assuntos Culturais e continua a evidenciar uma grande "energia de vida". A situação de "reformada" não significa "paragem" ou "enfado", antes, uma "oportunidade" para "novas "experiências" , uma sequência natural de quem "gosta realmente de viver".
Manuela Aranha, que estudou Escultura e Artes Plásticas no Porto, é também conhecida pela sua "ousadia" e sadia "provocação": foi a primeira mulher, no Funchal, a andar de bicicleta e de mota, a usar calças, a andar de patins na via pública...

Desportista a cem por cento (praticou várias modalidades), chegou a fazer uma travessia a nado entre a zona do Lazareto e a Pontinha, entre muitas outras peripécias; ou seja, nada do que ajuda a viver melhor lhe é estranho e mesmo agora, viúva, a viver numa casa com ampla vista para o mar, enfrenta as situações com naturalidade e garante que "a juventude não tem idade".

João Godim
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