Faleceu, em agosto de 1987, aos 85 anos de idade, e é considerado um dos maiores autores de língua portuguesa. Falamos do poeta, cronista, tradutor e contista brasileiro, Carlos Drummond de Andrade. Artista dedicado de "corpo e alma" à palavra e ao sentimento que bem expressou em versos e escritos de cariz social e político.
Foi funcionário público durante a maior parte da sua vida, trabalhando em áreas da educação e do património histórico-cultural, ao mesmo tempo que escrevia para os jornais com uma acutilância crítica e estética, na esperança de transformar o mundo e a sociedade do seu tempo, como revela no seu famoso poema JOSÉ, datado de 1942:
"E agora, José? / A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, / e agora, José? / e agora, você? / Você que é sem nome, / que zomba dos outros, / Você que faz versos, / que ama, protesta? / e agora, José? (...)".
E agora, quase que se pode continuar o poema, mas com a realidade do Brasil actual, por exemplo..., depois das luzes da ribalta, da realização dos Jogos Olímpicos, depois de Lula, de Dilma...
"E agora, José? / Sozinho no escuro / qual bicho-do-mato, / sem teogonia, / sem parede nua / para se encostar, / sem cavalo preto / que fuja do galope / você marcha, José! / José, para onde?".
Continua a inquirir Carlos Drummond de Andrade, de saudosa memória.

João Godim
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