O Dia da Europa (9 de Maio) é uma data simbólica que serve para questionar o presente, em vez de se ficar apenas por uma simples celebração, invocando o passado de especial importância.
Efeméride oportuna e sugestiva, numa altura em que os princípios e os propósitos que estiveram na criação de uma "União Europeia" estão um pouco aquém das pretensões e assiste-se a um vaivém de disfarces ou faz de conta, ao sabor dos interesses de cada país.
Basta ver o que está a acontecer com o chamado "Brexit" inglês que, desde há dois anos para cá, apresenta soluções sem fim à vista e em forma de adiamentos sucessivos, ditos por não ditos, numa atitude de esperar para ver até que, chegados às próximas eleições legislativas (dia 26 de Maio) para o Parlamento Europeu, os cidadãos britânicos vão votar de novo..., numa espécie de número circense para derrubar barreiras ideológicas, mas cujos resultados poderão acabar em mais eurocépticos, mais populismos e demagogias, do que em defesa de uma União que se deseja sólida.
Consola-nos a recordação de vozes com uma clara autoridade e honestidade intelectual, como a do Professor Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011) que no seu livro A Europa como Projecto (publicado em 2007) escreveu, entre outros considerandos em forma de alerta e apelo:
- "Alguns governos europeus, constava, pretendiam eliminar os símbolos da União Europeia - a bandeira e o hino. Acham que atentam contra a sua soberania. Estranho. A soberania dos estados está há muito limitada: a defesa pertence à N.A.T.O, braço do imperialismo norte-americano; a moeda é manipulada pelo Banco Central Europeu, cada estado deixou de ter política monetária; além de ver manietada a acção governativa - não será perda de um símbolo básico de soberania?" (...) "Os hinos nacionais estão relegados para os desafios de futebol e sessões solenes" (...).
- "Convoquem-se os cidadãos, ouçam-se os pensadores e intelectuais, como queiram chamar-lhes. Convoquem-se os cidadãos para intervir institucionalmente. Não em manifestações manipuladas por minorias violentas e só motivadas pela ânsia de destruição (...)".
- "A Europa não pode ser apenas um espaço de paz e segurança: pertence a um mundo que de bipolar passou a unipolar, e com os desacertos dos E.U.A. assiste à ascensão de novas e grandes potências - a China, a Índia - e à presença de potências que dispõe, ou vão dispor de armamento nuclear - Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Coreia do Norte; outras potências médias servem-se do petróleo e do gás para firmarem a sua posição internacional.
A União Europeia tem imperativamente de possuir os meios da guerra moderna e dos sistemas de comunicação não só para garantir a sua defesa como para desempenhar no xadrez mundial o papel que só ela pode desempenhar, graças ao humanismo do seu património e a ser uma civilização de democracia".

João Godim
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