Falar de milhões de pessoas, de euros, de competições, de libras e de qualquer coisa..., é tão banal na Europa, como outrora o foi para os povos nossos antepassados que criaram e delimitaram o espaço que hoje se designa europeu e através do qual limitamos a nossa própria identidade geográfica, num complexo e continuado confronto entre Oriente e Ocidente.
Na origem de tudo, entretanto, está um mito literário grego, uma espécie de tentativa racional para explicar como foi o início e qual a razão de ser assim..., e que hoje persiste em manter-se atual.
Os especialistas em literatura dizem que a Europa é a filha do rei da Fenícia (actual Líbano). Foi raptada por Zeus, disfarçado de touro, e levada para Creta, onde deu à luz o futuro rei Minos... A partir daí a história prolonga-se pela Grécia e Roma antigas, até aos nossos dias.

O que se conclui que há sempre um interesse em qualquer existência, um "mais forte" e "um mais fraco", em que os "mais ágeis e capazes" são os que ficam a dominar sobre todo o resto à sua volta.
Os exemplos abundam nesta matéria, mas nos nossos dias, neste momento, percebe-se como esta situação se encaixa no "mito" da Antiguidade.
É ler e ver o que se passa à volta das competições do futebol europeu, com milhões em disputa apenas por um jogo; e também na política europeia, em que os interesses alemães desejam um outro candidato à liderança da ONU, em detrimento de um português, só por que em causa também se apresenta a hegemonia da Rússia, etc.

É uma questão de milhões que gira em torno de um "mito" e que remete para uma dialética Ocidente/Oriente, mas hoje em dia mais ligado a conceitos económicos, religiosos, políticos e raciais, ainda que os métodos da propaganda e do marketing nos façam crer o contrário.

João Godim
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