Ninguém melhor do que António Vieira definiu com profundidade o ser humano em termos de competência, distinguiu com propriedade o que separa o ser do agir, dando provas da sua própria experiência pessoal e alertando para o vazio dos discursos, desinformação, propaganda ou campanhas levianas.
As suas palavras a este respeito continuam a ser um aviso à navegação (embora tenham sido escritas no século XVII), em particular no nosso tempo, em que os ataques e os confrontos partidários, servem-se de tudo para iludir os mais incautos, através de promessas, agendas, planos, dando o dito por não dito, baseando nisso a sua importância, a sua capacidade para isto e para aquilo, mas sem assumir as consequências, como se bastasse apenas desejar, querer, mais do que fazer, mais do que a prática que prova na realidade quanto vale o ser humano.
António Vieira, sacerdote jesuíta e diplomata na corte de D. João IV, que viveu entre Portugal e o Brasil (nascido em Lisboa em 1608 e falecido em Salvador da Baía aos 89 anos de idade), deixou escrito o seguinte, sobre esta distinção fundamental entre o ser e do agir:
> "Uma coisa é o semeador, outra o que semeia (...) o pregador e outra o que prega. O semeador e o pregador é nome; o que semeia e o que prega é acção; e as acções são as que dão ser ao pregador (...) a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o Mundo. (...) Palavras sem obra são tiros sem bala (...) Para falar ao vento, bastam palavras".

João Godim
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