Há dois mil anos a História registou um acontecimento espiritual de grande alcance, tendo como cenário a Palestina e como protagonista Jesus de Nazaré. Foi num clima de grande tensão entre judeus e romanos, onde se deu a condenação do Filho de Deus, durante a chamada Semana Santa, através de três dias especiais, hoje conhecidos como Tríduo Pascal: Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Sábado da Aleluia, terminando com o Domingo da Ressurreição.
A máxima ou o lema desses dias ainda continua actual, permanece válido, de tal modo que é útil reflectir sobre o "poder" dos fortes então instalados e a "atitude de entrega, de serviço" da parte dos mais fracos. Como ontem, aquele acontecimento desafia a humanidade a optar pelo "poder" ou pelo "serviço".
Hoje, a razão é evidente e talvez mais preocupante do que nunca, quando estamos perante a existência, por exemplo, de um “terrorismo sem fronteiras”, como aconteceu esta semana em Bruxelas e no passado mês de Novembro em Paris.
Parafraseando o cardeal Walter Kasper (no seu livro Papa Francisco – A Revolução da Misericórdia e do Amor), diríamos que estão à vista as coordenadas de que precisamos para compreender o lema “estar ao serviço” iniciado por Cristo na Semana Santa, pois, basta estar atento ao “desafio da paz, de pessoas expulsas dos seus países, obrigadas a fugir da perseguição ou por causa de uma pobreza extrema, do diálogo intercultural e inter-religioso, do cuidado da criação, da protecção da vida, da crise da família”.

Para além do “progresso científico e tecnológico, do aumento do saber e da informação e, ao mesmo tempo, da perda de orientação, da mudança cultural a ela ligada que, amiúde, se descreve como mudança de valores, de secularização e do relativismo”.
Este é, para o cristão deste tempo, desta “Quinta-Feira Santa”, por exemplo, o “problema-chave que importa enfrentar”, em termos de verdadeiro “poder” que, segundo o Papa Francisco, se traduz simplesmente por “serviço”.

João Godim
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