Não há volta a dar, costuma-se dizer, quando as coisas não correm bem ou estão de tal modo enredadas que só resta um certo conformismo ou "deixa andar"... Resta ainda um eventual consolo de que nada existe que não se venha a saber mais tarde, o tempo é o melhor remédio e a há sempre os “culpados” da história, de preferência os outros...
Só que os mestres, isto é, aqueles que verdadeiramente ensinam, têm uma explicação mais consentânea com o ser humano livre, responsável, consciente dos seus deveres, direitos e obrigações.

É o caso de Francisco Sanches, o grande filósofo, médico e matemático português do século XVII que no seu famoso livro “Que Nada Se Sabe”, escreveu, entre outras considerações que permanecem actuais: "A vida é breve, e é muito, ou antes, é infinito o que temos a aprender, ou melhor ainda, aquilo que é objecto da ciência, ou de que a ciência depende. (...) Nada sabemos. (...)
Devemos distinguir, porém, a apreensão da recepção. O cão também recebe a imagem do homem, e da pedra, e de muitas outras coisas, mas não conhece. E até os nossos olhos recebem, e não conhecem; e muitas vezes a própria alma recebe, e não conhece, como sucede quando admite coisas falsas, ou quando se apresentam obscuras a um entendimento tardo".
Conhecer é diferente de especular, corromper ou fazer de conta... Ver é mais do que olhar, perceber ou aceitar passivamente.

João Godim
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