A crise na comunicação social há muito que existe. Salvo pontual excepção, todas as empresas do sector estão tecnicamente insolventes, tanto na imprensa como na tv, rádio e nas agências noticiosas, as despesas são superiores às receitas, o défice acumulado é inevitável. Ao consultarmos os cadernos de encargos das empresas da comunicação social portuguesas a conclusão final, entre o deve e o haver, leva-nos a uma grande interrogação: Que negócio é este que dá prejuízos financeiros? Há excepções mas são muito escassas e nem estão consolidadas.
Um país que tem uma comunicação social em permanente falência técnica é um país árido no aspecto cultural, sem massa crítica, subserviente, apolítico e vazio de conteúdos. A liberdade de imprensa é uma mentira. Tudo acaba por ser reflexo do estado da nação que teima em promover a fachada em vez de dar valor à matéria. Consulte-se a comunicação social inglesa, alemão, dos países nórdicos, da EUA e da própria Rússia, as tiragens sobem, as receitas crescem ou estabilizam, ao contrário de Portugal onde o declínio é triturador. Nos últimos quarenta anos, nenhum país europeu perdeu tantos títulos de jornais e de leitores como Portugal.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS