Foi o governo presidido por Marcello Caetano quem, em 1971, comprou as ilhas Selvagens à família madeirense Rocha Machado. A ilha visitada, por estes dias, pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, passou a ser território português, a partir do início dos anos 70, do século XX. Por pouco não ficou na posse dos espanhóis que, mais tarde, quiseram apoderar-se das Selvagens quando estas já estavam sob a soberania portuguesa. Todavia, antes de Portugal avançar para a compra das pequenas ilhas, pelo preço de 150 mil francos suíços (1.500 contos, 7.500 euros), surgiram privados interessados que, na tentativa de quererem adquirir por um valor mais baixo, acabaram por não investir na compra. O factor sorte acabou por bafejar o Estado português. É que nem Portugal (Governo da República), com mais de 800 anos, nem a Madeira (Governo do Distrito Autónomo), com cerca de 600 anos, revelaram interesse pelas ilhas Selvagens, quando tinham (e têm) ao lado às ilhas Desertas. Pois foi há precisamente 41 anos que aquelas ilhas, situadas a 250 kms do Funchal e a 165 kms de Tenerife (Canárias-Espanha), passaram a ser território português. Foi a decisão de Marcello Caetano, chefe do governo (dito fascista...), que evitou as Selvagens de passarem para o domínio da língua de Cervantes.
Música> https://www.youtube.com/watch?v=3-4J5j74VPw
Marcello Caetano, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, os últimos três visitaram as ilhas Selvagens, o primeiro, que tomou a decisão de adquiri-las, nunca lá esteve.

João Godim
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