Anibal Cavaco Silva faz, hoje, 74 anos (nasceu em Boliqueme, Algarve, a 15.07.1939). É o político com mais anos na chefia do governo (1985 - 1995), para além do cargo de chefe de Estado (2006 - 2016). Em síntese: 10 anos como primeiro-ministro mais 10 anos como presidente da República (faltam 3 anos para terminar o seu último mandato). Um total de 20 anos. O Portugal de hoje tem muito a ver com as políticas implementadas pelo governante Cavaco Silva. Todos os elogios e epítetos que lhe são destinados cabem numa governação que levou Portugal para a cauda da crise europeia. Já passou por todas as tormentas da rasca sociedade portuguesa, desde a sua pobre reforma de 10 mil euros/mês, ao ter que ouvir, pela tv, um escritor compará-lo a um palhaço. O primeiro presidente de Portugal a ter o “cognome” de palhaço, razão para uma democracia que não tem limites quanto à liberdade de expressão. Na próxima quinta-feira, ainda na ressaca aniversariante, vai visitar as ilhas Desertas (arquipélago da Madeira), um local idílico, no meio do Atlântico, para ver e ouvir os sons das cagarras. Parabéns presidente… e não se preocupe que PSD, CDS E PS dão conta do recado. Pior do que já está, não pode ficar. Divirta-se nas Desertas, enquanto o País continua a afundar-se num desértico político dramático. 
Máxima segurança em terra, ar e mar (inclusive com os célebres submarinos de custo-milhões que tiveram a assinatura do ministro Paulo Portas). Durante a permanência do presidente nas ilhas do Bugio, Desertas e Selvagens, o espaço aéreo estará encerrado, bem como as linhas marítimas de ligação às Américas, ao norte de África e ao Mediterrâneo. Uma visita crucial para Portugal, para a Europa e para o Mundo. Os mistérios seculares nos mares das ilhas podem ser desvendados, a acontecer, será decisivo para economia e para o desemprego no nosso país. Um acto de coragem bem à maneira dos destemidos navegadores dos séculos XV e XVI. Naquela euforia presidencialista, ninguém irá dizer a Cavaco Silva que o arquipélago da Madeira foi descoberto pelos navegadores venezianos (italianos), em 1335 (e não pelos portugueses em 1418), que a Flama não está desarmada e que Portugal colonizou o arquipélago, durante mais de 600 anos, com o mesmo trato como fizera com os ex-territórios ultramarinos em África. Uma visita que as cagarras jamais irão esquecer... particularmente, pelo momento que Portugal atravessa. LEVANTA-TE MEU POBRE PAÍS.

João Godim
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