A vida de Nelson Mandela está por um fio, melhor dizendo, ao alcance de um simples click que desliga a máquina que o mantém inatural. Tudo isto é estranho e não tem nada a ver com eutanásia. Desde quando a vida é vida por meio de uma máquina? Depois, de acordo com ecos que chegam até nós, seria bom manter Mandela vivo até completar 95 anos, no próximo dia 19 de Julho? Um absurdo. A vida mantida com máquinas contraria o princípio da identidade, enunciado correntemente como o que é é, o que não é não é. A máquina não dá vida e como tal não deve manter a vida que não dá. À luz da igreja “o ser humano não vale por si próprio, vale por ser uma criatura de Deus. Portanto, depende de Deus, morre quando Deus quiser. É o que diz o Papa. O maior pecado é a negação de Deus”, observa Daniel Sampaio, membro do comité director de bioética do conselho da Europa e da Academia Pontifícia para a Vida da Santa Sé. Nelson Mandela, prémio Nobel da Paz e o primeiro presidente negro da República de África do Sul, merece paz em paz, viver e morrer com a dignidade com que sempre se apresentou ao mundo, antes e depois de ter passado 27 anos na cadeia, por lutar pelos direitos, liberdades e igualdades entre negros e brancos. A vida de Nelson Mandela, já não é! Um sénior com S grande.
"Longo Caminho para a Liberdade" é o título do livro que narra a vida de Nelson Mandela desde a infância até chegar a líder do ANC e presidente da RSA. Uma lição de vida, autêntica, para conhecer, ler e reler.

João Godim
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