
Há 150 anos, os Mercados dos lavradores, dito tradicionais, eram iguais em todo o mundo. Tudo o que a terra produzia era vendido ao ar livre, sem preços fixos e muitas das vezes as vendas eram feitas na troca-por-troca. Nem dinheiro havia!

Já nos finais do século XIX, os produtos estavam dentro de cestos, feitos de vimes, e começava a haver uma certa ordem "de técnicas de vendas". As mercadorias eram adquiridas com dinheiro à vista. Repare-se na própria indumentária dos vendedores e dos compradores.

Nesta altura, já começa a aparecer o preço fixado em cartão, colocado de forma bem visível sobre os produtos. O preço era livre mas os vendedores tinham o cuidado de não vender a preços muito diferentes dos outros vendedores. Prevalecia a regra da boa vizinhança. Como se vê, cada produto está dentro de um cesto-de-vimes.

Entre 1947-1975, operou-se uma mudança significativa. Passou a haver regras municipais, os produtos passaram a estar bem expostos, em cima de um mesão, com tabela de preços. Os cestos praticamente deixaram de existir.

Vimos aqui três imagens: 2001, 2008 e 2011. A ordem mostra profundas alterações. Em 2008, como se pode ver, até um quadro (tipo ardósia), chamava à atenção do produto. Tudo muito bem apresentado, tal como existe hoje. Os "Mercados do Povo" continuam a ser os principais centros de produtos agrícolas no mundo. Mau grado a pouca informação que leva os consumidores a comprar este género de produtos nas grandes superfícies que não oferecem nem a qualidade nem o preço que só estes mercados têm.
NB: Nos anos 60, do séc.XX, o DN-Madeira tinha postos de venda de diários em vários pontos do Funchal. O posto que mais diários (DN) vendia era o que estava situado à entrada do Mercado dos Lavradores. As pessoas íam ao Mercado e à Praça do Peixe logo pela manhã e, à entrada, compravam o DN. Gente do povo lia muito! Numa época em que a taxa de analfabetismo era superior aos 40 %. Surpresa das surpresas: Veio a saber-se que as pessoas compravam o diário (de folhas grandes, quem se lembra?), para embrulhar o peixe que compravam na praça e para limparem em casa o peixe-espada-preto. É que na época, não havia sacos de papel nem de plástico, e um folha de papel pardo que o vendedor de peixe tinha era mais cara do que o DN. Coisas!

João Godim
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