É um sermão actual e que bem se encaixa na nossa classe política e governamental que temos. O Pe. António Vieira, jesuíta, ficou célebre pelos seus sermões em Portugal e, sobretudo, no Brasil. O Santo António de Lisboa foi também orador por excelência mas os seus sermões ficaram mais conhecidos em Itália do que em Portugal. Santo António de Lisboa, também conhecido como Santo António de Pádua, terá nascido na Mouraria (Lisboa - Portugal), a 15 de Agosto de 1191, e falecido em Pádua (Itália), a 13 de Junho de 1231. A sua fama de santidade levou-o a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, aos 40 anos de idade, distinguindo-se como teólogo e notável orador. Hoje, assinala-se o Dia de Santo António, feriado em Lisboa.
Em relação ao "Sermão aos Peixes" do Pe. António Vieira, este revela ironia, sugestões alegóricas e agudo senso de observação sobre os vícios e vaidades do homem, comparando-o através de alegorias, aos peixes. Critica a prepotência dos grandes que, como peixes, vivem do sacrifício de muitos pequenos, os quais "engolem" e "devoram". Censura os pregadores (= parasitas); os ambiciosos (= voadores); os hipócritas e traidores (= polvos). E prossegue: "O polvo com aquele seu cabelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus ralos estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo dessa aparência tão modesta ou dessa hipocrisia tão santa, testemunham constantemente (...) que o dito polvo é o maior traidor do mar."

No centro da capital madeirense, paredes-meias com o Parlamento, vamos encontrar uma das mais antigas capelas dedicadas a Santo António, construída nos princípios do século XVIII (há 300 anos!).

João Godim
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