A 1 de Junho, em Portugal, assinala-se o Dia Mundial da Criança. Este ano (2013) é de gritar bem alto e manifestar a desilusão pela pobreza que está a atingir gravemente muitas crianças portuguesas. É chocante ver na televisão, nos jornais e em revistas, crianças portuguesas, acompanhadas dos pais, a comer em cantinas para os pobres, a irem buscar, já noite, uma pequena tijela com sopa, a não terem pequeno almoço, nem pão, nem fruta, nem leite, a deixarem de irem à escola por nada terem para comer. Esta imagem viu-a em África, no início dos anos 70, do séc. XX, chocante para quem lá chega pela primeira vez, mas em contextos sociais completamente distintos. África não é a Europa, nem a Guiné é Portugal.
Para quem nasce e vive num pais onde sempre houve as bases elementares da alimentação, habitação, equipamentos de saúde, escolas, segurança e horizontes de desenvolvimento, e nunca esteve em países onde nada disto existe, muito dificilmente compreenderá o que é nascer num território onde falta quase tudo, sem água potável, sem cama para dormir, sem bens alimentares, sem medicamentação, no extremo da miséria.
Nascemos em Portugal mas conhecemos, in loco, - durante dois anos - o que é nascer e viver no interior agreste de África, nas povoações isoladas da Guiné, a milhares de quilómetros da civilização, onde as carências são mais que muitas. Do que tinha visto, do que vi e do que vejo, este nosso mundo é inacreditável. Crianças que tem de tudo e crianças que nada têm. Como é possível, meu Deus! No mundo há mais de dois biliões de crianças e todos os dias morrem dezenas de crianças por não terem alimentos. Morrem de fome. Um DIA DA CRIANÇA tem 365 dias e não 24 horas. Os discursos são retóricas vazias e os chefes das grandes nações não estão imunes a tanta desumanidade que há no mundo, não só nas crianças como nos adultos. Todos nos merecem consideração e atenção mas, como português, custa-nos ver, em pleno 2013, crianças portuguesas com fome... no "seu" Dia Mundial. Que tirania!
Música> https://www.youtube.com/watch?v=HQOWrH-ruvA 
In jornal "I". Nas escolas são dez mil, foram das escolas são muitas mais crianças portuguesas a passar fome. Cresce de dia para dia o número de famílias sem nada para comer.

João Godim
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