"A Guiné Bissau é um dos países mais corruptos do mundo e um dos principais corredores do negócio de droga", revelam relatórios da ONU. Cerca de quatro décadas após a independência da Guiné (Setembro de 1974 - foi o primeiro território africano a ser descolonizado por Portugal), as populações continuam na miséria, privadas de quase todo o bem essencial, desprotegidas e sob ameaças dos quartéis da droga, violentadas e perseguidas, morrendo de doenças evitáveis, à fome e abandonadas. Milhares de militares portugueses (brancos e pretos), durante mais de treze anos de guerra, foram heróis na luta por uma vida melhor para os guineenses. Um esforço titânico inglório. A Guiné tornou-se num país amargurado pelos retratos e relatos que nos chegam da capital Bissau. Difícil imaginar como estarão a viver os milhares de guineenses nas aldeias do interior, com quem contactámos diariamente nos anos 70-72, onde a pobreza é muito mais gravosa e a sobrevivência abaixo de limiar. Esta penúria na Guiné é também desalentadora para quem lá esteve a lutar em prol daquele território. São países sem pátria (sem patriotismo) e com fraca nação (os cidadãos são ignorados). A história faz-se dos pequenos nacos das nossas vidas. Umas vezes com sinal mais... outras vezes com sinal menos.

João Godim
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