
"Se fosse dar ouvidos aos velhos do Restelo, Portugal nunca teria ido além de Sagres", Fausto Grilo, no livro "O Portugal das Caravelas". Na imagem, é o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, a não querer ouvir o que dizem os que se opõem às suas decisões para o Arquipélago. Se não tem saído do gabinete da presidência (como fizeram e fazem os governantes nacionais), com sucessivas viagens pela Europa, em especial, a Madeira e o Porto Santo não teriam tido o volume de investimentos e assumida modernidade que hoje apresentam. Foram gastos milhões, investidos milhões, para que a Região pudesse sair do enorme atraso em relação a Portugal Continental e à Europa. Jardim tapou os ouvidos e avançou quando outros queriam parar, fez quando outros se opuseram, e, se algo falhou, foi o de não ter feito ainda mais e mais.
No Continente e na Europa, há milhões e milhões aplicados em obras de utilização zero, auto-estradas e vias rápidas quase às moscas, parques industriais às dezenas ao abandono, projectos megalómanos sem uso. As viagens que Alberto João Jardim fez pela Europa levaram-no a ver tudo isto, viu que só investindo, sem demoras, é que a Madeira podia progredir. Dívidas tem, como tem Potugal (muito mais graves), como tem a União Europeia (ainda mais controversas). Os EUA têm a maior dívida externa do mundo e nem por isso deixam de ser o país que é. Se os madeirenses pudessem viajar mais vezes e mais demoradamente pudessem conhecer as regiões e cidades europeias uma outra opinião teriam de A.J. Jardim. Tapar os ouvidos, nem sempre corresponde a fazer ouvidos de mercador, mas, nalgumas ocasiões, vale a pena!

João Godim
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