
Edifício sede da PIDE/DGS passou a moradias de luxo. Quem hoje passa pela rua António Maria Cardoso (ao Chiado), apenas vê uma pequena placa a dizer que ali foi a sede da Pide. Nem uma parte do espaço foi reservado para um "pequeno museu" que seria de inquestionável interesse para as gerações futuras. Não há vestígios das ditas masmorras, dos aparelhos medonhos, das refinadas torturas, dos violentos interrogatórios, das armas eléctricas, das celas negras e reduzidas, em suma, dos instrumentos que terão sido utilizados pela tenebrosa polícia da ditadura. Em Espanha, na Alemanha, e noutros países, não foram desfeitos nem escondidos os processos usados pela polícia política, sendo possível visitar os museus e consultar os arquivos oficiais. E a questão é esta: Ou a PIDE/DGS não correspondia ao que se dizia e como tal o aconselhável era não deixar vestígio algum; ou os perseguidos, encarcerados e torturados pediram para que fosse destruído todo o aparelho físico da dita polícia política.
Não deixa de ser irónico não haver nada material a testemunhar a acção da PIDE/DGS. A escrita, é palavra, a parte física é a realidade. Queríamos ver menos palavras (muitos livros, muita escrita) e mais (ou alguma) imagens, em concreto. Uma das máximas de S. Tomé, faz todo o sentido: "Só vendo para crer!". Depois de ouvirmos, esta manhã, alguns slogans alusivos a este Dia do Trabalhador e de serem lançadas algumas farpas à tenebrosa PIDE/DGS que perseguia, batia e metia na prisão quem se manifestasse no 1.º de Maio, porquê não ir até a ex-sede dessa polícia e ver o que lá está! Quem são os donos dos imóveis? Quem lá vive? E quanto custa cada apartamento, todos vendidos, o valor mais baixo (T2) ascendeu a 620 mil euros!? Lembrar o 1.º de Maio e a PIDE/DGS, sim, mas não apenas com palavras.
Música> https://www.youtube.com/watch?v=Io_RidA1mlI


João Godim
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