
O engraxador não sabe o que fazer com o vazio da sua engraxadoria. Baixou o preço de cada engraxadela, mantém a boa pomada, o bom pano e a boa escova, mas, diz-nos:"a crise fez baixar o negócio em mais de 90 por cento". A crítica não escapa "o tal de Gaspar e a sua troika ainda querem a nossa miserável colecta para as finanças, governo da m...". Coisa séria, porque, neste caso, em concreto, engraxador não é o mesmo que bajulador.

A capital portuguesa (nesta primeira década do século XXI), pouco ou nada tem a ver com a cidade disciplinada, cuidada e acolhedora que nobremente ostentou seguramente até o início dos anos 70, do século transacto. Muitas das principais ruas da baixa estão ocupadas com esplanadas, mesas e cadeiras, espaços exíguos para os peões e os carros (veja-se o do polícia) não têm espaço para circular. E a tendência é para uma maior degradação!

Qual cidade africana, árabe, indiana, muçulmana, ou algo que possa parecer-se!? Isto é Lisboa, bem no centro lisboeta, cidadela de cores, sons, religiões e tribalismos. Não há um padrão, nem regras e muito menos pachorra para aturar as tradições, hábitos e culturas do país de acolhimento. Estão como se estivessem no seu habitat de origem, onde de manhã à noite, sentados à beira da árvore grande, os seus dialécticos e as suas necessidades vão ficando por ali até o outro dia. Isto é Lisboa, capital de Portugal, país europeu!

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS