António Oliveira Salazar foi presidente do conselho de ministros (o equivalente a “primeiro-ministro” / “chefe de governo”) durante 37 anos (entre 1933-1970). Do seu longo mandato ressalta a relativa estabilidade financeira, a limitada cotação da moeda “escudo”, a pobre economia e o empobrecimento geral de Portugal. Regime de ditadura, sistema bancário forte, colonia protegida, analfabetismo elevado, nada de elites e rigorosa vigilância no acesso à carreira pública e política. Grosso modo, foram estas as linhas de governação implementadas por Oliveira Salazar que levaram o país para a pobreza face à Europa.
Perderam-se demasiados anos com o “império de aquém e além-mar”, de má memória. Salazar fechou-se na sua alcova em Lisboa e fechou o país ao exterior. Porém, passados 39 anos de democracia (1974-2013), Portugal continua, no essencial, a ser um pobre país na Europa, a viver da ajuda financeira (um abominar para Salazar), a ter uma economia de rastos, uma actividade bancária instável e cerca de dois milhões de desempregados. Que Portugal é este? Para onde vai este país fundado em 1143? Simplesmente, um pensar sénior, com interrogação e exclamação.

João Godim
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