Portugal foi durante muitos anos um país a saque, sem rei nem roque, com milhões de euros da União Europeia a dar para fazer tudo e mais alguma coisa, até para o que não era necessariamente preciso. Os milhões serviram para criar “novos-ricos” e para mostrar uma evolução de encher a vista a residentes e estrangeiros. Fantástico! Durante anos, os bancos abarrotaram de dinheiro, abriram agências em locais de economia zero, ofereceram crédito ao desbarato, deram cartões multibanco a desempregados, a jovens, a domésticas, e até a quem nem dinheiro tinha para as migalhas. Portugal era um país… pobremente rico!
Mal a torre de babel começou a ruir, os ricos fugiram, outros precavidos a tempo transferiram a riqueza para bancos estrangeiros, os melhores quadros (incluindo jovens licenciados, fizeram e continuam a fazer as malas e a deixar o país), os pilares sociais estão a ficar no caos e a economia a agonizar-se. Portugal é hoje um país governamentalmente de pedintes. É no Continente, nos Açores e na Madeira, todas as grandes empresas, os grandes bancos, estão nos limites da existência funcional. Na Madeira, desde sempre, as maiores economias foram-se às malvas. Na banca, foram ao fundo: o banco Henrique Figueira (anos 30), o Banco da Madeira (anos 70) e a Caixa Económica do Funchal (anos 80), do séc.XX. Outros grandes negócios, para a economia madeirense, desapareceram, sendo o mais recente, o grupo Sá. O ciclo repete-se. Portugal não toma juízo.
A nota prévia… tinha anunciado um fim à vista. Mais um fim, cujas causas estão muito próximas. Os seniores têm boa memória, felizmente.
Música> https://www.youtube.com/watch?v=EqAZ_1JhUOw
Dois bancos (Caixa Económica do Funchal e Banco da Madeira) e o "Bazar do Povo", deixaram de ser madeirenses. As instituições financeiras, líderes no mercado regional, passaram para as mãos do grande capital nacional/internacional e a emblemática loja para o domínio comercial chinês. O pequeno-império, afinal, tinha pés de barro!

João Godim
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