
A guerra no ultramar (nos então territórios africanos portugueses: Guiné, Angola e Moçambique) que ceifou a vida a milhares de jovens militares tinha armadilhas muito para além das minas e do material bélico. Passados 40 anos do fim da guerra, começam a saltar para a ribalta as contas e os patrimónios gigantescos de quem tudo fez para que Portugal saísse de áfrica moribundo. Uma vergonha na história de Portugal e manchas negras que continuarão a doer na vida de milhares de "retornados" sujeitos à humilhação, violência, perseguição e, em muitos casos, de matança sem dó. Jovens militares obrigados a combater para defender a Pátria estão hoje votados ao esquecimento e à desconsideração de governos ditos democráticos, liderados por falsos generais ao comando de batalhões e pelotões de jovens com armas apontadas ao inimigo-turra.
Na foto, todos estes jovens (hoje, seniores), foram obrigados a ir para a guerra, alguns já morreram, outros padecem de sequelas da guerra, e outros jamais esquecem o drama daqueles frenéticos fomentos de combate, com mortos, pedaços de carne humana chamuscados pelo quente das granadas, braços e pernas separados do resto do corpo, gritos de revolta e de dor, até ao suspiro final. Foi este duro sofrimento que fez com que hoje Angola seja um paraíso para os novos ricos portugueses, que Moçambique guarde tesouros, que a Guiné seja um refúgio de infindáveis riquezas naturais controlados pelos senhorios, muitos deles portugueses, alguns deles governantes de Portugal, muitos deles com ligações estreitas aos governos portugueses. São muitas as histórias (escritas) encobertas da história violentíssima que foi a guerra no ultramar.

João Godim
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