
Os alemães lêem muito? São consumidores compulsivos da leitura de livros? Quando lanço esta pergunta é justo que esteja outrossim a pensar noutros cidadãos como os franceses, holandeses, ingleses, dinamarqueses... e portugueses!? Lêem o quê e porquê? Vamos às livrarias e vimos muitos leitores, ali mesmo junto às prateleiras, em calmas leituras, para depois se dirigirem à caixa e pagar a escolha feita. Os alemães em relação aos portugueses lêem muito mais. Mas pouca ou muito pouca poesia, romance ou ficção. As preferências vão para os livros didáticos, técnicos, com narrativas actuais, seja sobre política, filosofia, religião, conflitos, economia, psicologia, biografias, guerra, desporto, juventude, terceira idade, todos os que tenham conteúdo com algo inovador e de utilidade prática. São livros com sumo!. É impressionante o número de novas publicações "sobre o que vai pelo mundo" que chegam quase diariamente às livrarias. Ler um livro é ficar bem informado! Os blás-blás da prosa sem conteúdo não têm espaço por estas bandas. Escrever não é ser escritor nem ser jornalista, como pintar não é ser pintor ou fotografar ser fotógrafo.
Em 2010, foram publicados em Portugal 22 mil novos títulos de "novos livros", resumindo: para nada, palha, vaidades pessoais. Talvez nem um por cento foram úteis. E para mal dos males é que muitos dos autores dessas verborreias literárias são vistos como "gente culta, intelectual" e até conseguem colocar os seus livros nas disciplinas de português ministradas nas escolas oficiais. São tiros em seco no empobrecimento dos alunos que, como é normal, acabam por, quando adultos, detestar a leitura. Agora, pelo que vejo, os alemães lêem muito. E por isso estão muito bem informados. Vão na frente do combóio da leitura europeia, tal como os franceses, belgas, holandeses, entre outros. Os seniores fazem parte destes leitores bem informados.

João Godim
FREELANCER
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